01/04/2026
Entrevista com Vera Rodrigues - Head of People na Sonae MC
Na sua opinião, o talento é inato ou constrói-se?
Eu acredito que o talento se constrói. Acredito que, no limite, pode haver alguma especial apetência, em função daquela que é a nossa experiência, a nossa formação, para uma determinada profissão, para uma determinada habilidade, mas, na verdade, acredito que o talento e a capacidade de aprofundarmos as nossas competências depende muito da prática e depende muito de sermos consistentes naquilo em que possamos ser melhores.
Que conselho daria a quem hoje tem a responsabilidade de liderar e desenvolver talento?
É muito importante que os líderes sejam capazes de construir relações de confiança. Terem práticas de escuta, de feedback e momentos em que seja possível balancear aquilo que é o desafio, a exigência, a orientação para resultados, mas ao mesmo tempo o cuidado e a preocupação com as pessoas.
Qual é hoje o maior desafio para quem lidera equipas no setor do retalho?
Não faria uma especificidade relativamente ao retalho por contraponto com outros setores, mas, de facto, o grande desafio é conseguirmos consolidar uma employee experience de excelência. E isso passa também pela consistência, por sermos capazes de, todos os dias, trabalharmos e darmos inputs positivos a quem connosco trabalha e sermos capazes de criar um ambiente de trabalho no qual as pessoas querem estar e querem permanecer.
Que competências considera essenciais para liderar pessoas, num contexto cada vez mais exigente e em constante mudança?
Eu diria que é muito importante que um líder tenha capacidade de empatia, capacidade de escuta, capacidade também de desafiar e de criar relações de confiança, para que o balanço entre o caring e o daring seja uma verdade na forma como gerimos o nosso talento.
Reter talento tornou-se um desafio para muitas empresas. O que faz realmente a diferença para que as pessoas queiram ficar?
Eu costumo falar no triângulo do compromisso e há três grandes ângulos, neste triângulo, que devem estar equilibrados para que uma pessoa queira permanecer. Naturalmente, sentir que é devidamente recompensada pelo trabalho que entrega, do ponto de vista financeiro e do pacote de benefícios que tenha para usufruir. Por outro lado, a natureza da função e o nível de desafio. É muito importante que a pessoa se sinta realizada naquilo que é o seu job description, aquilo que tem para entregar. E também o eixo fundamental, que é o eixo da liderança. Ou seja, o líder tem que ser um elemento central neste triângulo do compromisso. Remuneração, projeto e liderança, são três ângulos que têm de estar equilibrados para que alguém prefira ficar.

