07/07/2026
APCC e Turismo de Portugal unem esforços na Rede de Refúgios Climáticos | Stay Cool
Tendo como objetivo proteger populações e visitantes durante períodos de calor extremo, Leonor Picão, Diretora-Coordenadora da Direção de Recursos e Oferta do Turismo de Portugal, destaca, nesta entrevista, a importância da parceria com a APCC e o papel dos centros comerciais como refúgios climáticos.
O que motivou o Turismo de Portugal a criar a Rede de Refúgios Climáticos | Stay Cool e quais são os seus principais objetivos?
O Programa Rede de Refúgios Climáticos | Stay Cool promove a identificação, qualificação e divulgação de espaços que oferecem condições de conforto térmico e proteção durante períodos de temperaturas elevadas. O seu principal objetivo visa essencialmente proteger residentes e visitantes em situações de calor extremo, reforçando simultaneamente a capacidade de adaptação dos destinos turísticos e incentivando a adoção de medidas concretas de resposta às alterações climáticas.
A adaptação às alterações climáticas, nomeadamente às ondas de calor, que se têm tornado mais frequentes e intensas, é hoje uma prioridade estratégica para o setor do Turismo. Neste contexto, a Rede de Refúgios Climáticos | Stay Cool constitui uma medida de adaptação desenvolvida pelo Turismo de Portugal, com aplicação direta à atividade turística e impacto positivo nos territórios e nas comunidades.
De que forma esta iniciativa se enquadra na Agenda para a Ação Climática no Turismo 2030 e na estratégia de adaptação do setor turístico às alterações climáticas?
A Agenda para a Ação Climática no Turismo 2030 tem como missão adaptar o setor às alterações climáticas, promovendo a descarbonização, a adoção de práticas sustentáveis e regenerativas e a resiliência dos territórios a crises futuras e aos fenómenos extremos, que cada vez mais impactam o planeta.
A criação da Rede de Refúgios Climáticos | Stay Cool tem como propósito posicionar o turismo como agente ativo na mitigação das alterações climáticas, tornando os destinos mais preparados, inclusivos e competitivos para quem os visita, mas também para os profissionais e comunidades residentes.
Podemos afirmar que, pelas suas características próprias, os Centros Comerciais já desempenham esta função no seu dia a dia, mesmo antes da criação formal da Rede. O que levou o Turismo de Portugal a considerar logo à partida os centros comerciais, enquanto locais particularmente adequados para funcionarem como Refúgios Climáticos?
Os Refúgios Climáticos são espaços que proporcionam abrigo temporário e conforto térmico durante períodos de calor extremo, características que os Centros Comerciais naturalmente cumprem, razão pela qual se tornaram desde o início do programa parceiros de eleição.
A Rede de Refúgios Climáticos | Stay Cool integra infraestruturas existentes, públicas ou privadas, interiores ou exteriores, desde que assegurem, além do conforto térmico, condições adequadas de descanso e acesso a água potável, podendo, ainda, cumprir outros requisitos complementares valorizadores da experiência, como por exemplo o acesso a instalações sanitárias, a garantia de acessibilidade para todos ou espaços destinados especificamente a crianças.
Pelas suas características, localização e serviços disponíveis, muitos Centros Comerciais reúnem já estas condições, desempenhando um papel relevante no reforço da cobertura e da qualidade da Rede.
Quais os impactos expectáveis que pode ter a integração dos Centros Comerciais nesta rede na proteção das populações mais vulneráveis, como idosos, crianças ou turistas que desconhecem o território?
A integração dos Centros Comerciais na Rede de Refúgios Climáticos | Stay Cool contribui para reforçar significativamente a capacidade de proteção dos turistas, mas também da comunidade envolvente, aumentando significativamente a oferta do número de espaços Stay Cool e a cobertura alargada dos mesmos no território nacional.
Pela sua localização estratégica, facilidade de acesso, horários alargados e disponibilidade imediata de espaços climatizados, os Centros Comerciais desempenham um papel importante na proteção dos grupos mais vulneráveis, como idosos, crianças ou turistas que desconhecem o território. A sua participação contribui para tornar a Rede mais próxima das populações e mais eficaz na resposta aos desafios associados às temperaturas extremas.
De que forma a existência de uma rede nacional de Refúgios Climáticos contribui para reforçar a atratividade e a resiliência dos destinos turísticos portugueses?
Os episódios de calor extremo podem afetar a experiência turística, condicionando a mobilidade, o conforto e o bem-estar dos visitantes, além de aumentarem os riscos para a saúde, sobretudo entre os grupos mais vulneráveis. Ao disponibilizar uma rede identificada de espaços seguros e termicamente confortáveis, a Rede de Refúgios Climáticos | Stay Cool reforça a capacidade de adaptação dos destinos turísticos, melhora a experiência de quem os visita e contribui para aumentar a resiliência dos territórios face aos desafios colocados pelas alterações climáticas.
Que mensagem gostaria de deixar aos Centros Comerciais que estão a ponderar aderir ao programa?
A adesão à Rede de Refúgios Climáticos | Stay Cool, além de contribuir para a capacidade de adaptação e resiliência dos territórios e para a melhoria da qualidade de vida de quem os visita ou neles reside e trabalha, representa também uma nova oportunidade para os Centro Comerciais de, ao reforçarem o seu compromisso com a sustentabilidade, a responsabilidade social e o bem-estar das comunidades, criarem oportunidades de negócio e captação de novos públicos.
Trata-se de uma iniciativa de elevado impacto social e ambiental, de implementação simples, e que evidencia o papel dos Centros Comerciais como espaços de proximidade, inclusivos, inovadores e ao serviço da comunidade, preparados para proteger quem mais necessita.

